Nado sim. Nado assim. E a culpada é minha mãe!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Se eu não me dou bem em grupo, se eu não sei passar a bola, a culpada é minha mãe! Ah se ao invés da natação eu tivesse feito algum esporte em equipe.Veja bem que por cinco longos anos eu fiquei sozinho nadando numa raia individual.
Quando na água, eu não pensava em nada além de mim. Era eu e minha mente, flutuando entre braçadas e pensamentos. Sim, era só eu e a minha cabeça louca. Eu não tinha que passar a bola, não tinha que dar suporte a ninguém, não tinha que pedir ajuda, não tinha que me doar a nada. Foram cinco longos anos de auto suficiência.
Lá, imergido na água e em mim mesmo o assunto se matinha estrito entre o objetivo e minha força de vontade (e física) para cumpri-lo. Ou seja, quando desmotivado eu poderia simplesmente fazer corpo mole, nadar devagar, ou simplesmente não nadar. Era eu assumindo meus erros sem maiores consequências.
Ah, mas a vida não quer nadadores e sim jogadores de futebol. Você tem que saber jogar com outras pessoas. E eu não aprendi. Aprendi a ser o jogador de futebol nadador. Mas quem quer um nadador no time de futebol?
E a culpada é minha mãe!
No relacionamento a gente divide a raia com outra pessoa. Mas como é difícil nadar levando braçadas no rosto. E por vezes a pessoa infeliz nem nadar sabe, e apenas se agarra em seu pescoço levando ambos para o fundo do poço. Pensei por momentos em transformar a natação em nado sincronizado, mas criar sincronia com um estranho me parece burro. Não quero nadar igual. Quero aprender novas maneira de se portar sob a água. Desisti de dividir minha raia.
Os amigos por vezes se contentam em nadar de brincadeira. E isso sim é legal. Pular de bomba na piscina, flutuar despreocupado, por vezes mergulhar. Seria ótimo se conseguíssimos sempre ter lazer na piscina. E como seria...Mas a água é muito fria para alguns, outros preferem tomar sol, e alguns ainda nem gostam de clubes. Problemas certos.
Quando eu não quero falar com ninguém, não quero contato, basta que eu mergulhe minha mente e inunde meus ouvidos de água. Estou agora noutro plano! De quando em vez fico boiando inanimadamente, fingido estar morto. Fico o máximo, que os meus pulmões me permitem, deitado com as costas à superfície. Mas isso incomoda quem me procura. Ninguém quer falar com um defunto, ou ainda com alguém que tem os ouvidos cheios de água. Eles me querem seco e atento. Dizem que fujo dos problemas, que nadar para longe não é a solução.
No trabalho vivo dentro de um copo d'água, como os peixinhos dourado. Dentro da água, porém sem espaço. Não posso nadar ou imergir. Só fico ali, a mostra.
E a culpada de tudo é a minha mãe!
Pobre da minha mãe. Acho que se ela soubesse que este esporte do qual ela gosta tanto me custaria ser assim, um nadador, talvez ela não teria me feito pratica-lo. Ela poderia descobrir que atletas são pessoas determinadas e prestativas, mas que nadadores não podem ser incluídos nestes méritos. Nós nadamos sozinhos, e para nós.
Oh mãe, por que me fez um menino que deu com os burros nágua?
Mas eu mudarei tudo isso quando tiver o meu próprio. Filho meu não colocará os pés em água que seja! Onde já se viu menino peixe? Não, não. Meu filho vai ser um atleta completo, homem de valor,saberá dar tudo o que eu não soube. Será aclamado pela nação, encorajado pelos amigos, e amado em seus amores.Sim, já posso vê-lo sendo melhor que eu. Ele fará atletismo, e ai dele se quiser do contrário.

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