Isso não é um adeus (adeus).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 0 comentários
(Um cafezinho, por favor)

Olá, meus caros leitores.

Durante mais de dois anos dediquei algum tempo para este blog, postando textos, reflexões, contos, poemas, pensamentos, e afins. Tempo este, muito bem gasto.
Hoje relendo minhas postagens pude perceber o quão diferente eu me tornei. Todo o processo de amadurecimento, as fases distintas que se passaram. Estão aqui neste blog, nestas páginas, pequenos e grandes fragmentos de mim que juntos formam uma colcha de retalhos. Um mosaico da minha alma. E sou muito feliz por tê-lo feito, senão pouco dessas emoções seriam lembradas.
O quero dizer com toda essa sentimentalidade é que não mais escreverei no blog Café do Muringa até segunda ordem. Fiz vinte anos e ainda não tenho nada de concreto em minha vida. Preciso me organizar.
De agora em diante gastarei minhas forças nos meus projetos literários no intuito de ter algumas obras realizadas. Dentre eles estão o minha saga infanto juvenil "O Último Violeta", cujo o primeiro livro já está pronto. E meu livro de contos em parceria com outros autores chamado "Vestida de Batom Vermelha" que também pretendo lançar ainda neste ano de 2013.
Espero que todos que tenham me acompanhado até agora compreendam que esta ausência não é definitiva e que ela consiste em trazer melhorias na minha arte escrita para maior proveito seus.
Desde já grato pelo carinho e atenção dadas para comigo e com meu blog, Muringa.


Já são cinco?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 0 comentários


 Era um dia qualquer na semana. Minto, era um dia útil da semana. Tipo, nem sábado, e nem domingo. O que é uma coisa engraçada dizer que os dias mais chatos da semana são os uteis. Enfim, era um dia qualquer na semana sem contar os dois que são considerados o “final de semana”.
Neste dia eu peguei um ônibus para ir para a faculdade. Coisa que sempre é uma experiência engraçada, uma vez que moro longe pra caralho da faculdade. Imagine só, uma hora e meia todos os dias dentro de um busão. Pois bem, você, meu amigo, que passa por situação semelhante sabe do que eu estou dizendo. São centenas de situações inusitadas pelas quais passamos dentro do tão popular transporte coletivo. E comigo nesse dia não foi diferente.

Eu queria

domingo, 11 de novembro de 2012 0 comentários


Queria por você debaixo de minhas axilas tal como a baguete vai com o francês.
Queria saber te deixar tão solto como o saco do escocês.
Queria entender a razão da má fama de um japonês.
Queria ouvir o canto vívido sobre nós da boca de um libanês.
Queria gostar do cheiro do seu bacalhau como gosta o português.
Eu queria, acima de tudo, que esses pequenos versos atingissem você como sabe fazer o bom paquistanês.

Minha pá

terça-feira, 30 de outubro de 2012 1 comentários

Eu tenho uma pá grandona. Muito grande mesmo. Grande demais.
Ela é suficiente para desenterrar todas as coisas que estão sob a terra.
Ela tira ossinho, mais fundo. Ela tira esqueleto, mais fundo. Ela tira fóssil, bem fundo.
Minha pá é espectral, que nem Ghoust Busters teriam.
Ela tira mal olhado do alguém. Ela tira alma penada do além. Ela me protege como ninguém.
Pensei em nomeá-la. Pensei em um nome profundo, mas mais profundo mesmo é onde essa danada consegue chegar.
Ela é violadora, não respeita nada alheio.
Cava, tira, expõe.  Trás à luz tudo que as trevas já haviam dragado. Pá purificadora, sacra.
Ela tira emoções, de dentro. Ela encontra o passado, veneno. Ela bate com força, ao terreno.
Mas como nada nessa vida é uno, minha pá profunda também age de má fé.
Por quantas vezes a grandona não enterrou meus erros, soterrou meus desejos, e desapareceu com minhas verdades?
Essa pá pode enterrar como nenhuma outra faria. Sua terra não é comida de minhocas. Sua terra não pode ser arada, tratada, revirada, trabalhada. É terra que quando dado um último tapinha com as costas da pá sobre ela ainda fofa, sela como uma prisão. Se tranca como um cofre.  Se perde como em Lost.
Retirar as coisas que a minha pá já enterrou é um hobbie para mim, um árduo, e que demanda de força. Ela não gosta de brincadeira. Quando dado por encerrado um trabalho, ela, minha querida pá, se reluta em desenterrar o que já fora feito. Mas eu nem ligo, continuo tirando tudo o que ela jogou nas trevas claustrofóbicas do subsolo.
Minha pá não se enferruja, não se desgasta, não se acaba com o tempo, mas eu sim.
E chegará o momento onde eu não terei mais forças para levantá-la. Nem para enterrar, tampouco para desenterrar.  Momento em que não me fará mais diferença esses pequenos detalhes.  Momento onde o superficial e o profundo serão a mesma merda, a mesma benção. Tudo e nada. Momento em que eu fecharei meus olhos e descansarei, finalmente, meus braços.
Mas até lá... é só eu e minha pá.

Eu tive medo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012 0 comentários

Eu tive medo de um dia dizer "te amo" e nunca mais poder retornar a ser quem eu era.
Nesse medo louco chamado orgulho eu me escondi.
Por anos vivi a sorrir e sem deixar transparecer. Eu sofri.
Tive medo de abrir meu coração e descobrir que nele não haveria mais espaço para um outro alguém que não eu.
Queria sempre estar livre, sem peso. Mas pesado mesmo era minha solidão.

"Então, humano que sou, tive que desistir das minhas defesas".
E para aquele que então tinha disposto a adentrar naquilo que me era de mais precioso, se perdeu.
O caminha era tortuoso e por vezes enganava. Eu como guia tentava facilitar a jornada, indicava os meios, mas por vezes o viajante precisa descobrir sozinho.

Morreu. Disse-me que não entendia mais as mensagens, que nossa língua não era mais a mesma.
Correu, para o meu caos.
Abandonado, sem chão, me deixei dragar por inexplicável pesar.
Eu perdi uma parte de mim ao tentar.

Nunca fiz ato mais corajoso do que o de me entregar.
Dizer a verdade, compartilhar.
Um homem é pleno, sua vida ganha sentido, ao amar.
Eu me entreguei.

Tolo aquele que se engana dizendo não precisar de amor.
Infeliz aquela que brinca com o amor dos outros.
Eu, que tive medo, descobri que o amor liberta.

Após abrir-se uma vez não existem mais motivos para se trancar novamente.
A prisão não é estar junto, mas sim sozinho. A cela que te cerca é a da solidão.
De trás das barras não há amor, não há carinho, nem atenção.

Eu tive medo, mas isso foi antes.
Eu te amei.
Eu tive medo, e agora não o tenho.
Aprendi a amar.
Não tenha medo.