Primeira parte do conto de suspense Sangue Negro.
Advertência: Este conto contém palavreado chulo e pode haver violência, descriminação racial, dentre outras formas de agressão.
Esse conto não expressa a opinião do autor sobre nenhum dos temas abordados.
Cama vazia
Depois de toda a algazarra a casa morreu. Nenhuma voz ou grito, gemido ou pedido. Silêncio do quintal ao quarto.
Andei por aqui e por ali procurando vestígios de quem esteve na casa, quem eram as pessoas que na euforia me puseram a dançar e cantar. Nada, ninguém. Nenhuma pessoa, nenhuma palavra. Não havia ninguém.
Me pus a pensar sobre o que eu senti e se fora real, afinal: Eu não estava sozinho, estava? O problema é que nada me recorria. Sabia que eram meus amigos, os melhores, e que a noite fora maravilhosa. Mas depois que tudo se vai, depois que o vinho seca, que a carne esfria, a sensação é de que nunca houvera ali qualquer celebração.
Das lembranças distorcidas na madrugada havia uma em especial que me incomodava. Minha cama estava vazia. Mas oras, não estava eu acompanhado? Não havia um homem no meu quarto? Onde fora parar? Nada fazia sentido.
Dei mais algumas voltas, recolhi copos e talheres sujos. Tentei calcular o grau de destruição, mas a verdade era que eu não me importava.
Fui até lá fora e procurei a lua, mas nem esta estava mais lá. Ninguém, somente o vento estava ali, e ele sussurrava maldades, zombava da minha solidão. Fechei a porta e deixei pra lá o enganador.
Subi incrédulo de que eu estava realmente sozinho. A cama vazia não mentia.
Me deitei, porém o gelo que só um colchão sem gente pode segurar estava ali. Inquietei-me, não conseguia ficar ali, sozinho. Eu não queria dormir só. Mas a cama estava vazia e não havia homem ali que dividisse meu leito.
Aquele cheiro de motel estava impregnado nos meus lençóis e eu sabia que aquelas curvas desenhada sobre eles não eram minhas, mas sim de um outro alguém. A cama não esteve vazia toda noite. Então por que agora estava?
Levantei, fui andar. Pensar um pouco, talvez ouvir uma música. Escrever.
Mas dormir já não podia, nunca mais eu iria dormir. Aquela cama vazia ficará para sempre sem meu calor. Aquele gelo, frio de ausência, iria permanecer lá, ninguém mais deitaria lá. A cama vazia permaneceria vazia. Sem mim. Sem ele. Sem nós.
Andei por aqui e por ali procurando vestígios de quem esteve na casa, quem eram as pessoas que na euforia me puseram a dançar e cantar. Nada, ninguém. Nenhuma pessoa, nenhuma palavra. Não havia ninguém.
Me pus a pensar sobre o que eu senti e se fora real, afinal: Eu não estava sozinho, estava? O problema é que nada me recorria. Sabia que eram meus amigos, os melhores, e que a noite fora maravilhosa. Mas depois que tudo se vai, depois que o vinho seca, que a carne esfria, a sensação é de que nunca houvera ali qualquer celebração.
Das lembranças distorcidas na madrugada havia uma em especial que me incomodava. Minha cama estava vazia. Mas oras, não estava eu acompanhado? Não havia um homem no meu quarto? Onde fora parar? Nada fazia sentido.
Dei mais algumas voltas, recolhi copos e talheres sujos. Tentei calcular o grau de destruição, mas a verdade era que eu não me importava.
Fui até lá fora e procurei a lua, mas nem esta estava mais lá. Ninguém, somente o vento estava ali, e ele sussurrava maldades, zombava da minha solidão. Fechei a porta e deixei pra lá o enganador.
Subi incrédulo de que eu estava realmente sozinho. A cama vazia não mentia.
Me deitei, porém o gelo que só um colchão sem gente pode segurar estava ali. Inquietei-me, não conseguia ficar ali, sozinho. Eu não queria dormir só. Mas a cama estava vazia e não havia homem ali que dividisse meu leito.
Aquele cheiro de motel estava impregnado nos meus lençóis e eu sabia que aquelas curvas desenhada sobre eles não eram minhas, mas sim de um outro alguém. A cama não esteve vazia toda noite. Então por que agora estava?
Levantei, fui andar. Pensar um pouco, talvez ouvir uma música. Escrever.
Mas dormir já não podia, nunca mais eu iria dormir. Aquela cama vazia ficará para sempre sem meu calor. Aquele gelo, frio de ausência, iria permanecer lá, ninguém mais deitaria lá. A cama vazia permaneceria vazia. Sem mim. Sem ele. Sem nós.
Uma noite. Uma amiga.
Empatia? Não sei. Talvez seja essa a palavra que eu possa usar para com a Carla Diniz Alvim.
Essa mulher distinta, dona de um jeito único, me cativou de uma maneira singular.
Não bateu a primeira vista, mas quanto mais eu a conhecia, mais eu gostava.
Descobri nela muito de mim, uma parte obscura e negada em mim. Tudo o que era negado e velado em mim era nela exposto e livre. E era assim que ela atuava sobre mim, como raios de sol que vêm para revelar o que se esconde sob a penumbra.
Nossa amizade surgiu de maneira leve e natural, e vem se consolidando sem grandes esforços.
Amo-a como os ventos amam os cabelos.
Minha amiga Lésbica e ativista é meu sinônimo de liberdade.
Se hoje falo de homens, se hoje sou livre, é porque um dia ouvi Carla falar da vida com beleza e naturalidade.
Sinto-me feliz em tê-la ao meu lado. Em poder mandar uma mensagem sabendo que será ela minha receptora.
Espero que isso não morra, e que essa guerreira vença muitas outras batalhas.
Quero poder, lá na frente, dizer:
"Essa vadia é minha amiga."
2 Beijos do seu amado, Arthur Fortes.
(Pequeno texto retirado do livro "Recipiente" escrito num retorno embriagado para casa).
Só queremos ser felizes.
É
engraçado pensar que a busca da felicidade é algo constante na nossa vida. Mais
curioso ainda é pensar que se nesse exato momento pararmos de procurá-la já a
teríamos encontrado. Estaria aqui, do nosso lado. Num dia ensolarado, num café
com leite, no sorriso de uma criança, na água que bebemos. Fragmentos de
verdadeira felicidade se juntariam no mosaico da vida, e de uma maneira prática
seriamos de fato felizes.
Não sou
diferente de ninguém, eu só quero ser feliz. Nessa busca torta por uma
felicidade desconhecida machucamos quem não queríamos,
descobrimos outras facetas de nossas personalidades. Boas também são algumas
surpresas, como descobrir que o simples fato da pessoa amada te olhar faz bem
pro coração.
Procurando
ser feliz nos transformamos continuamente, para tentar atingir o ápice daquilo
que entendemos como felicidade. Aquele que nunca virá. Mudamos o cabelo, a
roupa, os amigos, os parentes, de casa, de profissão, de princípios.
Tendemos a externar, em "outrar", a felicidade. E por
"outrar" eu quero dizer tornar outro, fazer com que a felicidade
sempre esteja como alvo naquilo que ainda não temos. Ou seja, queremos muito
algo até que conseguimos, imediatamente a felicidade abandona este algo e
transfere-se para um outro, alguma coisa que ainda não nos era percebido. Desse
modo a insana jornada em busca da felicidade suprema nunca termina.
Alguns
descobrem isso a tempo e decidem contentar-se (contentemente, e sim isso é
possível) com aquilo que já adquiriram. Seja num matrimônio, numa
conquista material, num nível espiritual. Pessoas verdadeiramente felizes por
simplesmente estarem vivas mais um dia.
Regressão
também acontece, e podemos perceber que essa felicidade nada mais era além de
uma ilusão forçada por nós mesmos para não termos que nos desgastar atrás da
verdadeira felicidade.
Ser feliz
é possível. A felicidade não é sorrir o tempo todo, não é ter rios de dinheiro,
não está num corpo sarado. Estas coisas nada mais são do que reflexos da
felicidade. A verdadeira felicidade é poder parar. Parar de sofrer, parar de
querer, parar de ter que ser, parar de pensar, parar de chorar, parar de rir.
Ser feliz é não depender de nenhuma dessas coisas para saber compreender as
coisas que nos cercam. Abandonar o olhar unifocal e parcial
para abranger novos horizontes. Ser feliz é ser humano de fato, e não
esta máquina de produzir sonhos que nós nos tornamos. Ser feliz é ser, e não
querer ser.
Nado sim. Nado assim. E a culpada é minha mãe!
Se eu não me dou bem
em grupo, se eu não sei passar a bola, a culpada é minha mãe! Ah
se ao invés da natação eu tivesse feito algum esporte em
equipe.Veja bem que por cinco longos anos eu fiquei sozinho nadando
numa raia individual.
Quando na água, eu não
pensava em nada além de mim. Era eu e minha mente, flutuando entre
braçadas e pensamentos. Sim, era só eu e a minha cabeça louca. Eu
não tinha que passar a bola, não tinha que dar suporte a ninguém,
não tinha que pedir ajuda, não tinha que me doar a nada. Foram
cinco longos anos de auto suficiência.
Lá, imergido na água e em mim mesmo o
assunto se matinha estrito entre o objetivo e minha força de vontade
(e física) para cumpri-lo. Ou seja, quando desmotivado eu poderia
simplesmente fazer corpo mole, nadar devagar, ou simplesmente não
nadar. Era eu assumindo meus erros sem maiores consequências.
Ah, mas a vida não
quer nadadores e sim jogadores de futebol. Você tem que saber jogar
com outras pessoas. E eu não aprendi. Aprendi a ser o jogador de
futebol nadador. Mas quem quer um nadador no time de futebol?
E a culpada é minha
mãe!
No relacionamento a
gente divide a raia com outra pessoa. Mas como é difícil nadar
levando braçadas no rosto. E por vezes a pessoa infeliz nem nadar
sabe, e apenas se agarra em seu pescoço levando ambos para o
fundo do poço. Pensei por momentos em transformar a natação em
nado sincronizado, mas criar sincronia com um estranho me parece
burro. Não quero nadar igual. Quero aprender novas maneira de se
portar sob a água. Desisti de dividir minha raia.
Os amigos por vezes se
contentam em nadar de brincadeira. E isso sim é legal. Pular de
bomba na piscina, flutuar despreocupado, por vezes mergulhar. Seria
ótimo se conseguíssimos sempre ter lazer na piscina. E como
seria...Mas a água é muito fria para alguns, outros preferem tomar
sol, e alguns ainda nem gostam de clubes. Problemas certos.
Quando eu não quero
falar com ninguém, não quero contato, basta que eu mergulhe minha
mente e inunde meus ouvidos de água. Estou agora noutro plano! De
quando em vez fico boiando inanimadamente, fingido estar morto. Fico
o máximo, que os meus pulmões me permitem, deitado com as costas à
superfície. Mas isso incomoda quem me procura. Ninguém quer falar com
um defunto, ou ainda com alguém que tem os ouvidos cheios de água.
Eles me querem seco e atento. Dizem que fujo dos problemas, que nadar
para longe não é a solução.
No trabalho vivo dentro
de um copo d'água, como os peixinhos dourado. Dentro da água, porém
sem espaço. Não posso nadar ou imergir. Só fico ali, a mostra.
E a culpada de tudo é
a minha mãe!
Pobre da minha mãe.
Acho que se ela soubesse que este esporte do qual ela gosta tanto me
custaria ser assim, um nadador, talvez ela não teria me feito
pratica-lo. Ela poderia descobrir que atletas são pessoas
determinadas e prestativas, mas que nadadores não podem ser
incluídos nestes méritos. Nós nadamos sozinhos, e para nós.
Oh mãe, por que me fez
um menino que deu com os burros nágua?
Mas eu mudarei tudo
isso quando tiver o meu próprio. Filho meu não colocará os pés em
água que seja! Onde já se viu menino peixe? Não, não. Meu filho
vai ser um atleta completo, homem de valor,saberá dar tudo o que eu
não soube. Será aclamado pela nação, encorajado pelos amigos, e
amado em seus amores.Sim, já posso vê-lo sendo melhor que eu. Ele fará atletismo, e ai dele se quiser do contrário.
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