E não era Carnaval.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 0 comentários

Este texto não é recomendado para menores de 18 anos por conter temática adulta. Tema: sexualidade, agressão, sexo, preconceito, e etc.

Fogo!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013 1 comentários

Gritaram “fogo!” e lá se foi o Bombeiro correndo. Sobe, desce, vai, e volta.
Ainda fardado, ele estava lá quando tudo aconteceu. Sua vida inteira sob a exposição das chamas. Tudo muito próximo do fim, de ser consumido assim.
As chamas o cercavam. Com muito esforço ele se agarrou aos bens mais preciosos que tinha e tentou protegê-los.  Seu sabre de luz, uma HQ qualquer, e sua paz.  Foi só o que estava ao seu alcance naquele instante.
Ele se perguntou se não era sua culpa, afinal sabia que a chama que estava alimentando com pequenos pedaços de lenha cresceria. Sim, sabia. Só não esperava que tomassem forma tão terrível de fogo vermelho vivo.
A forma do fogo agora era conhecida. O Bombeiro reconhecia aqueles traços de gente. Era menino ou era homem? Podia ser um cara qualquer, mas qualquer não seria o cara.
Encarou a chama viva e percebeu que nada estava queimado ao seu redor. Aquele fogo não consumia madeira, papel, sabres, nem pessoas. Então que diabos queria aquele fogo com o Bombeiro?
A criatura incandescente estava inquieta, não conseguia se manifestar corretamente. E então o Bombeiro se lembrou. Sim, este fogo foi escolhido e alimentado. E agora pedia para ser extinto.
Sentindo empatia com o ser, ele sorriu e tocou as chamas. Com seu toque, seu sorriso, e sua paz, o Bombeiro finalmente apagou o fogo inquieto.
O que encontrou ao fim da combustão do velho e conhecido fogo foi o surgimento de um novo, e agora azul, Fogo. O Fogo tinha nome e sobrenome. Tinha gosto, voz, e rosto. O Fogo azul era a única chama que o Bombeiro sabia que nunca precisaria apagar, porque ali ele não ia se queimar. E foi assim que Fogo e Bombeiro deram as mãos para nunca mais, até onde ouvi dizer, soltarem.

---//---

Espero que goste do seu presente :)

O Mestre das fugas

domingo, 17 de fevereiro de 2013 0 comentários


 Marcos desde pequeno descobriu que conseguia escapar de situações difíceis. Eram pequenas mentiras, jogo de cintura, e BAM! Marcos se livrava de qualquer problema.  Um trabalho que se esqueceu de entregar. Não fazer seus deveres em casa. Fazer coisas proibidas para sua idade... Ele era bom nessas escapadas, sempre foi.
Elevou este potencial para níveis colossais. Marcos aprendeu pequenos truques de mágica, e posteriormente se tornou um dos melhores. Era chamado por Mestre das fugas. Suas habilidades eram variadas. Começando na simples tarefa de desatar as mãos de algemas, até seu grand finale: Escapar de correntes que prendiam seu corpo todo e depois era lançado em um tanque com água. Espetacular!
Tudo sempre foi da maneira que Marcos planejou. Nada escapava à sua percepção. Milhares de desculpas na manga para um problema que nem existia ainda. Sorrisos e alternativas para não se ferir.
Tudo sempre foi da maneira que ele planejou até o dia em que se apaixonou. Sua vida nunca mais foi a mesma. Ele não conseguia mais fugir. Imagine só, um mestre em fugas que não conseguia fugir!
Inconformado o Mestre das fugas armou seu maior espetáculo e chamou seu amor. Todos conheciam seu repertório, estavam excitados para vê-lo em ação. Cortinas se abriram e lá estava ele no centro.
Marcos foi o grande mestre das fugas. Mas das algemas ele não se desatou. Das correntes não se soltou. E no tanque se afogou.

Isso não é um adeus (adeus).

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 0 comentários
(Um cafezinho, por favor)

Olá, meus caros leitores.

Durante mais de dois anos dediquei algum tempo para este blog, postando textos, reflexões, contos, poemas, pensamentos, e afins. Tempo este, muito bem gasto.
Hoje relendo minhas postagens pude perceber o quão diferente eu me tornei. Todo o processo de amadurecimento, as fases distintas que se passaram. Estão aqui neste blog, nestas páginas, pequenos e grandes fragmentos de mim que juntos formam uma colcha de retalhos. Um mosaico da minha alma. E sou muito feliz por tê-lo feito, senão pouco dessas emoções seriam lembradas.
O quero dizer com toda essa sentimentalidade é que não mais escreverei no blog Café do Muringa até segunda ordem. Fiz vinte anos e ainda não tenho nada de concreto em minha vida. Preciso me organizar.
De agora em diante gastarei minhas forças nos meus projetos literários no intuito de ter algumas obras realizadas. Dentre eles estão o minha saga infanto juvenil "O Último Violeta", cujo o primeiro livro já está pronto. E meu livro de contos em parceria com outros autores chamado "Vestida de Batom Vermelha" que também pretendo lançar ainda neste ano de 2013.
Espero que todos que tenham me acompanhado até agora compreendam que esta ausência não é definitiva e que ela consiste em trazer melhorias na minha arte escrita para maior proveito seus.
Desde já grato pelo carinho e atenção dadas para comigo e com meu blog, Muringa.


Já são cinco?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013 0 comentários


 Era um dia qualquer na semana. Minto, era um dia útil da semana. Tipo, nem sábado, e nem domingo. O que é uma coisa engraçada dizer que os dias mais chatos da semana são os uteis. Enfim, era um dia qualquer na semana sem contar os dois que são considerados o “final de semana”.
Neste dia eu peguei um ônibus para ir para a faculdade. Coisa que sempre é uma experiência engraçada, uma vez que moro longe pra caralho da faculdade. Imagine só, uma hora e meia todos os dias dentro de um busão. Pois bem, você, meu amigo, que passa por situação semelhante sabe do que eu estou dizendo. São centenas de situações inusitadas pelas quais passamos dentro do tão popular transporte coletivo. E comigo nesse dia não foi diferente.

Eu queria

domingo, 11 de novembro de 2012 0 comentários


Queria por você debaixo de minhas axilas tal como a baguete vai com o francês.
Queria saber te deixar tão solto como o saco do escocês.
Queria entender a razão da má fama de um japonês.
Queria ouvir o canto vívido sobre nós da boca de um libanês.
Queria gostar do cheiro do seu bacalhau como gosta o português.
Eu queria, acima de tudo, que esses pequenos versos atingissem você como sabe fazer o bom paquistanês.

Minha pá

terça-feira, 30 de outubro de 2012 1 comentários

Eu tenho uma pá grandona. Muito grande mesmo. Grande demais.
Ela é suficiente para desenterrar todas as coisas que estão sob a terra.
Ela tira ossinho, mais fundo. Ela tira esqueleto, mais fundo. Ela tira fóssil, bem fundo.
Minha pá é espectral, que nem Ghoust Busters teriam.
Ela tira mal olhado do alguém. Ela tira alma penada do além. Ela me protege como ninguém.
Pensei em nomeá-la. Pensei em um nome profundo, mas mais profundo mesmo é onde essa danada consegue chegar.
Ela é violadora, não respeita nada alheio.
Cava, tira, expõe.  Trás à luz tudo que as trevas já haviam dragado. Pá purificadora, sacra.
Ela tira emoções, de dentro. Ela encontra o passado, veneno. Ela bate com força, ao terreno.
Mas como nada nessa vida é uno, minha pá profunda também age de má fé.
Por quantas vezes a grandona não enterrou meus erros, soterrou meus desejos, e desapareceu com minhas verdades?
Essa pá pode enterrar como nenhuma outra faria. Sua terra não é comida de minhocas. Sua terra não pode ser arada, tratada, revirada, trabalhada. É terra que quando dado um último tapinha com as costas da pá sobre ela ainda fofa, sela como uma prisão. Se tranca como um cofre.  Se perde como em Lost.
Retirar as coisas que a minha pá já enterrou é um hobbie para mim, um árduo, e que demanda de força. Ela não gosta de brincadeira. Quando dado por encerrado um trabalho, ela, minha querida pá, se reluta em desenterrar o que já fora feito. Mas eu nem ligo, continuo tirando tudo o que ela jogou nas trevas claustrofóbicas do subsolo.
Minha pá não se enferruja, não se desgasta, não se acaba com o tempo, mas eu sim.
E chegará o momento onde eu não terei mais forças para levantá-la. Nem para enterrar, tampouco para desenterrar.  Momento em que não me fará mais diferença esses pequenos detalhes.  Momento onde o superficial e o profundo serão a mesma merda, a mesma benção. Tudo e nada. Momento em que eu fecharei meus olhos e descansarei, finalmente, meus braços.
Mas até lá... é só eu e minha pá.

Eu tive medo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012 0 comentários

Eu tive medo de um dia dizer "te amo" e nunca mais poder retornar a ser quem eu era.
Nesse medo louco chamado orgulho eu me escondi.
Por anos vivi a sorrir e sem deixar transparecer. Eu sofri.
Tive medo de abrir meu coração e descobrir que nele não haveria mais espaço para um outro alguém que não eu.
Queria sempre estar livre, sem peso. Mas pesado mesmo era minha solidão.

"Então, humano que sou, tive que desistir das minhas defesas".
E para aquele que então tinha disposto a adentrar naquilo que me era de mais precioso, se perdeu.
O caminha era tortuoso e por vezes enganava. Eu como guia tentava facilitar a jornada, indicava os meios, mas por vezes o viajante precisa descobrir sozinho.

Morreu. Disse-me que não entendia mais as mensagens, que nossa língua não era mais a mesma.
Correu, para o meu caos.
Abandonado, sem chão, me deixei dragar por inexplicável pesar.
Eu perdi uma parte de mim ao tentar.

Nunca fiz ato mais corajoso do que o de me entregar.
Dizer a verdade, compartilhar.
Um homem é pleno, sua vida ganha sentido, ao amar.
Eu me entreguei.

Tolo aquele que se engana dizendo não precisar de amor.
Infeliz aquela que brinca com o amor dos outros.
Eu, que tive medo, descobri que o amor liberta.

Após abrir-se uma vez não existem mais motivos para se trancar novamente.
A prisão não é estar junto, mas sim sozinho. A cela que te cerca é a da solidão.
De trás das barras não há amor, não há carinho, nem atenção.

Eu tive medo, mas isso foi antes.
Eu te amei.
Eu tive medo, e agora não o tenho.
Aprendi a amar.
Não tenha medo.

Sengue Negro: parte 1

quarta-feira, 22 de agosto de 2012 1 comentários
Primeira parte do conto de suspense Sangue Negro.

Advertência: Este conto contém palavreado chulo e pode haver violência, descriminação racial, dentre outras formas de agressão. 
Esse conto não expressa a opinião do autor sobre nenhum dos temas abordados. 

Cama vazia

domingo, 19 de agosto de 2012 0 comentários
Depois de toda a algazarra a casa morreu. Nenhuma voz ou grito, gemido ou pedido. Silêncio do quintal ao quarto.
Andei por aqui e por ali procurando vestígios de quem esteve na casa, quem eram as pessoas que na euforia me puseram a dançar e cantar. Nada, ninguém. Nenhuma pessoa, nenhuma palavra. Não havia ninguém.
Me pus a pensar sobre o que eu senti e se fora real, afinal: Eu não estava sozinho, estava? O problema é que nada me recorria. Sabia que eram meus amigos, os melhores, e que a noite fora maravilhosa. Mas depois que tudo se vai, depois que o vinho seca, que a carne esfria, a sensação é de que nunca houvera ali qualquer celebração.
Das lembranças distorcidas na madrugada havia uma em especial que me incomodava. Minha cama estava vazia. Mas oras, não estava eu acompanhado? Não havia um homem no meu quarto? Onde fora parar? Nada fazia sentido.
Dei mais algumas voltas, recolhi copos e talheres sujos. Tentei calcular o grau de destruição, mas a verdade era que eu não me importava.
Fui até lá fora e procurei a lua, mas nem esta estava mais lá. Ninguém, somente o vento estava ali, e ele sussurrava maldades, zombava da minha solidão. Fechei a porta e deixei pra lá o enganador.
Subi incrédulo de que eu estava realmente sozinho. A cama vazia não mentia.
Me deitei, porém o gelo que só um colchão sem gente pode segurar estava ali. Inquietei-me, não conseguia ficar ali, sozinho. Eu não queria dormir só. Mas a cama estava vazia e não havia homem ali que dividisse meu leito.
Aquele cheiro de motel estava impregnado nos meus lençóis e eu sabia que aquelas curvas desenhada sobre eles não eram minhas, mas sim de um outro alguém. A cama não esteve vazia toda noite. Então por que agora estava?
Levantei, fui andar. Pensar um pouco, talvez ouvir uma música. Escrever.
Mas dormir já não podia, nunca mais eu iria dormir. Aquela cama vazia ficará para sempre sem meu calor. Aquele gelo, frio de ausência, iria permanecer lá, ninguém mais deitaria lá. A cama vazia permaneceria vazia. Sem mim. Sem ele. Sem nós.

Uma noite. Uma amiga.

sábado, 18 de agosto de 2012 0 comentários


Empatia? Não sei. Talvez seja essa a palavra que eu possa usar para com a Carla Diniz Alvim.
Essa mulher distinta, dona de um jeito único, me cativou de uma maneira singular.
Não bateu a primeira vista, mas quanto mais eu a conhecia, mais eu gostava.
Descobri nela muito de mim, uma parte obscura e negada em mim. Tudo o que era negado e velado em mim era nela exposto e livre. E era assim que ela atuava sobre mim, como raios de sol que vêm para revelar o que se esconde sob a penumbra.
Nossa amizade surgiu de maneira leve e natural, e vem se consolidando sem grandes esforços.
Amo-a como os ventos amam os cabelos.
Minha amiga Lésbica e ativista é meu sinônimo de liberdade.
Se hoje falo de homens, se hoje sou livre, é porque um dia ouvi Carla falar da vida com beleza e naturalidade.
Sinto-me feliz em tê-la ao meu lado. Em poder mandar uma mensagem sabendo que será ela minha receptora.
Espero que isso não morra, e que essa guerreira vença muitas outras batalhas.
Quero poder, lá na frente, dizer:
"Essa vadia é minha amiga."

2 Beijos do seu amado, Arthur Fortes.


(Pequeno texto retirado do livro "Recipiente" escrito num retorno embriagado para casa).

Só queremos ser felizes.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012 0 comentários

É engraçado pensar que a busca da felicidade é algo constante na nossa vida. Mais curioso ainda é pensar que se nesse exato momento pararmos de procurá-la já a teríamos encontrado. Estaria aqui, do nosso lado. Num dia ensolarado, num café com leite, no sorriso de uma criança, na água que bebemos. Fragmentos de verdadeira felicidade se juntariam no mosaico da vida, e de uma maneira prática seriamos de fato felizes.

Não sou diferente de ninguém, eu só quero ser feliz. Nessa busca torta por uma felicidade desconhecida machucamos quem não queríamos, descobrimos outras facetas de nossas personalidades. Boas também são algumas surpresas, como descobrir que o simples fato da pessoa amada te olhar faz bem pro coração.

Procurando ser feliz nos transformamos continuamente, para tentar atingir o ápice daquilo que entendemos como felicidade. Aquele que nunca virá. Mudamos o cabelo, a roupa, os amigos, os parentes, de casa, de profissão, de princípios. Tendemos a externar, em "outrar", a felicidade. E por "outrar" eu quero dizer tornar outro, fazer com que a felicidade sempre esteja como alvo naquilo que ainda não temos. Ou seja, queremos muito algo até que conseguimos, imediatamente a felicidade abandona este algo e transfere-se para um outro, alguma coisa que ainda não nos era percebido. Desse modo a insana jornada em busca da felicidade suprema nunca termina.

Alguns descobrem isso a tempo e decidem contentar-se (contentemente, e sim isso é possível) com aquilo que já adquiriram. Seja num matrimônio, numa conquista material, num nível espiritual. Pessoas verdadeiramente felizes por simplesmente estarem vivas mais um dia.
Regressão também acontece, e podemos perceber que essa felicidade nada mais era além de uma ilusão forçada por nós mesmos para não termos que nos desgastar atrás da verdadeira felicidade.

Ser feliz é possível. A felicidade não é sorrir o tempo todo, não é ter rios de dinheiro, não está num corpo sarado. Estas coisas nada mais são do que reflexos da felicidade. A verdadeira felicidade é poder parar. Parar de sofrer, parar de querer, parar de ter que ser, parar de pensar, parar de chorar, parar de rir. Ser feliz é não depender de nenhuma dessas coisas para saber compreender as coisas que nos cercam. Abandonar o olhar unifocal e parcial para abranger novos horizontes. Ser feliz é ser humano de fato, e não esta máquina de produzir sonhos que nós nos tornamos. Ser feliz é ser, e não querer ser.


Nado sim. Nado assim. E a culpada é minha mãe!

sexta-feira, 15 de junho de 2012 0 comentários

Se eu não me dou bem em grupo, se eu não sei passar a bola, a culpada é minha mãe! Ah se ao invés da natação eu tivesse feito algum esporte em equipe.Veja bem que por cinco longos anos eu fiquei sozinho nadando numa raia individual.
Quando na água, eu não pensava em nada além de mim. Era eu e minha mente, flutuando entre braçadas e pensamentos. Sim, era só eu e a minha cabeça louca. Eu não tinha que passar a bola, não tinha que dar suporte a ninguém, não tinha que pedir ajuda, não tinha que me doar a nada. Foram cinco longos anos de auto suficiência.
Lá, imergido na água e em mim mesmo o assunto se matinha estrito entre o objetivo e minha força de vontade (e física) para cumpri-lo. Ou seja, quando desmotivado eu poderia simplesmente fazer corpo mole, nadar devagar, ou simplesmente não nadar. Era eu assumindo meus erros sem maiores consequências.
Ah, mas a vida não quer nadadores e sim jogadores de futebol. Você tem que saber jogar com outras pessoas. E eu não aprendi. Aprendi a ser o jogador de futebol nadador. Mas quem quer um nadador no time de futebol?
E a culpada é minha mãe!
No relacionamento a gente divide a raia com outra pessoa. Mas como é difícil nadar levando braçadas no rosto. E por vezes a pessoa infeliz nem nadar sabe, e apenas se agarra em seu pescoço levando ambos para o fundo do poço. Pensei por momentos em transformar a natação em nado sincronizado, mas criar sincronia com um estranho me parece burro. Não quero nadar igual. Quero aprender novas maneira de se portar sob a água. Desisti de dividir minha raia.
Os amigos por vezes se contentam em nadar de brincadeira. E isso sim é legal. Pular de bomba na piscina, flutuar despreocupado, por vezes mergulhar. Seria ótimo se conseguíssimos sempre ter lazer na piscina. E como seria...Mas a água é muito fria para alguns, outros preferem tomar sol, e alguns ainda nem gostam de clubes. Problemas certos.
Quando eu não quero falar com ninguém, não quero contato, basta que eu mergulhe minha mente e inunde meus ouvidos de água. Estou agora noutro plano! De quando em vez fico boiando inanimadamente, fingido estar morto. Fico o máximo, que os meus pulmões me permitem, deitado com as costas à superfície. Mas isso incomoda quem me procura. Ninguém quer falar com um defunto, ou ainda com alguém que tem os ouvidos cheios de água. Eles me querem seco e atento. Dizem que fujo dos problemas, que nadar para longe não é a solução.
No trabalho vivo dentro de um copo d'água, como os peixinhos dourado. Dentro da água, porém sem espaço. Não posso nadar ou imergir. Só fico ali, a mostra.
E a culpada de tudo é a minha mãe!
Pobre da minha mãe. Acho que se ela soubesse que este esporte do qual ela gosta tanto me custaria ser assim, um nadador, talvez ela não teria me feito pratica-lo. Ela poderia descobrir que atletas são pessoas determinadas e prestativas, mas que nadadores não podem ser incluídos nestes méritos. Nós nadamos sozinhos, e para nós.
Oh mãe, por que me fez um menino que deu com os burros nágua?
Mas eu mudarei tudo isso quando tiver o meu próprio. Filho meu não colocará os pés em água que seja! Onde já se viu menino peixe? Não, não. Meu filho vai ser um atleta completo, homem de valor,saberá dar tudo o que eu não soube. Será aclamado pela nação, encorajado pelos amigos, e amado em seus amores.Sim, já posso vê-lo sendo melhor que eu. Ele fará atletismo, e ai dele se quiser do contrário.

Dois ursos e um veado.

sexta-feira, 25 de maio de 2012 0 comentários
ALERTA!

Em respeito aos leitores deste blog, é meu dever alertar que o conteúdo deste conto pode, de alguma forma, ser ofensivo e contêm temática adulta. Logo, aconselho apenas para maiores de 18 anos, e que leiam como leitores críticos, e não trolls.
Não esperava começar a maratona de maneira tão tensa, mas foi sobre este lado que quis começar.
Sem maiores delongas, o texto:

Como ovo

quinta-feira, 17 de maio de 2012 2 comentários
(um suco e uma omelete)

As vezes sinto-me como ovo. O ovo é forte, possui uma casca firme que lhe serve de proteção. Mas proteger do quê? De mim mesmo. Dos outros. De nada.

Até mesmo a dureza do ovo mais resistente não consegue impedir que todas as impurezas permaneçam do lado de fora do ovo. Silenciosamente a casca permite a entrada dos corpos estranhos. Não por escolha, afinal naturalmente a osmose da vida acontecerá, e então aquele ovo se adapta, muda. Algumas coisas enriquecem o sabor, outras o estraga. Algumas o fazem desidratar, e outras ainda o saturam de tal forma, fazendo a própria casca se desfazer.

Estes recipientes ovais são tão fortes por fora, porém tão frágeis por dentro. Seu conteúdo além de valioso (vida!) é muito frágil. Tenho medo de ter me agitado de mais, e por algum motivo ter virado um ovo mexido. Temo ter procurado por ser chocado com muita avidez, acabando por tornar-me choco.

Os ovos não vêm ao mundo para se preocuparem com o que suas cascas absorverão ou se defenderão. Eles existem apenas para permitir que a vida aconteça. Como posso me sentir um ovo, então? Não cabe a mim escolher o que será marcado em brasa, ou o que será rejeitado sem ponderação. Se não escolhemos o funcionamento de nossas defesas, para que temos casca?

Perguntei-me em momentos se os pensamentos realçam o meu sabor, ou se apenas me saturam, estufando-me. Acredito que dependendo da qualidade do pensamento, do tipo, da natureza dele, é que ira criar esta variação de efeito.

Não sei se chegarei ao ponto de estar tão saturado, que minha própria casca desfaria. E o que isso significaria?  Sem minha casca estaria eu livre, ou condenado para todo o sempre?

Eu, como ovo, me tornarei algo novo e cheio de vida, ou apenas me tornarei uma bela omelete na frigideira de alguém?

Sou ovo, mas de quê? De jacaré, cobra, pássaro, inseto, ornitorrinco, dinossauro? Eu tenho é medo. Medo de irromper a minha casca e ter que encarar o meu verdadeiro eu. E que Eu! (terrível Eu).

Mas por vezes sinto-me como homem. Sem cascas, sem medos, sem bicos, nem escamas. Sinto-me livre da obrigação de escolher o que ser. Eu, fruto do ventre, simplesmente sou que sou. Homem pensante, pensando que é ovo.

Diários de papel

quarta-feira, 16 de maio de 2012 0 comentários

Assim ficam compreendidos os fatos. Desta situação toda, nós podemos aproveitar melhor.
Que merda é essa?
Não é estilo, não tem moda. Só tem morte. Sem sorte. Tentando ser forte.
O que todo mundo sabe é que quem repete, repede o que fode. O que pode.
Eu já os conheço. Nas mangas de sua blusa.
Vai, vai, vai. Suba pra cima.
Verbo de ligação por excelência. Por excelência?
Não, não usamos!
Por um. Por um nós podemos.
Perdi mais espaço no papel.
Realizei a dois. O quê? Trabalhei a dois. Jogo de cintura.
As vezes um sorriso nos entrega mais do que confissão.
Perdeu o que? Cansei.
Tranquilo ser. De qual filme?
A mim, ninguém me espera não.
A mim, ninguém me engana.
A mim, ninguém me ama.
A mim, ninguém me tem.

Nada de tensão.

Não tem mais papel, mas minha caneta ainda tem muita tinta. 
Palavra.

Maratona

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(um café, e pão com manteiga)

Olá pessoas!

O Café do Muringa está entrando em maratona, mas o que isso significa? Significa que muitos textos estão sendo criados, e que depois de algum tempo em ritmo desacelerado, a cafeteria decidiu que chegou a hora de soltar o verbo sobre vocês.
Estou  trabalhando com contos (sabe, aqueles textos pequenos, lidos em apenas uma "sentada"), e adivinhem só? Estou amando. Vou criar uma página exclusiva para o meu Arquivo (área do blog destinada aos meus textos) onde vocês encontrarão todos os poemas e contos.
Não deixarei de escrever o meu diário (os desabafos, os causos, e etc), porém estarei dando maior atenção aos contos.
Espero que estas pequenas histórias sejam capazes de transportar vocês, mesmo que por um breve momento, para outras realidades. Suspense, ação, terror, romance. Pequenos momentos para prender a respiração ou desenrolar as lágrimas.
Espero continuar servindo à vocês o mesmo bom e velho café, o meu café.
Bjunda, Muringa.

Quedando em queda.

sábado, 21 de abril de 2012 0 comentários
Caio a todo instante, caio sem parar.
Caio tanto que até parei de reparar.
Disseram-me que por não ter atingido o chão eu já devo ter parado.
Mas a verdade clara é que não, eu continuo indo rumo ao chão.
Quedado em queda, quedando-me à queda.

Muitas são as mãos que por vezes se estendem.
É amigo, é irmão. São inimigos que se vão.
Como me esticam ajuda se também estão a cair?
Braços curtos, força pouca.
Caímos todos juntos, rumo ao chão.

Alguns caem rapidamente, são pesados, ou inclinam-se para que isso aconteça.
Outros se demoram, fingem não cair, vivem à brisa da queda.
Caio, ou me derrubam?
Caio porque me derrubam, ou me afundam porque caio?
Queda, caindo em si.

Nasce, cresce, morre caindo. Nunca atinge de fato o chão.
Existe um limite para esta queda?

Olho para cima e não vejo da onde caí.
Procuro lá em baixo, não vejo para onde cairei.
É por isso que me quedo na queda.
Não tem como não cair, mas tampouco como emergir.

Braços curtos, força pouca.
Querem me derrubar, quando na verdade eu já estou caindo.
Preso ao modo, caindo em si.

Café com ritmo

quarta-feira, 18 de abril de 2012 0 comentários
(badu, bada, badabadabudu ♫♪♫♪♫)

Olá amigo,

agora ,como você deve (provavelmente) estar ouvindo, o Café do Muringa tem ritmo também. E que batida é essa? O jazz!

Esse jazz gostoso, essa conversa músical, veio para acrescentar mais vida ao blog, que já está velhinho.
Espero que ter acrescentado este áudio faça com que a leitura dos textos que já era boa fique ainda melhor! Colocarei todo dia uma música nova para a playlist, para quem sempre o blog esteja renovado.
Ah, e deixem sua opinião aqui, comentem dizendo se gostaram da ideia ou não, deem sugestões. Deixem recados para mim, eu os leio (y).
Beijos do Muringa.

Café com ritmo

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(badu, bada, badabadabudu ♫♪♫♪♫)

Olá amigo,

agora ,como você deve (provavelmente) estar ouvindo, o Café do Muringa tem ritmo também. E que batida é essa? O jazz!
Esse jazz gostoso, essa conversa músical, veio para acrescentar mais vida ao blog, que já está velhinho.
Espero que ter acrescentado este áudio faça com que a leitura dos textos que já era boa fique ainda melhor! Colocarei todo dia uma música nova para a playlist, para quem sempre o blog esteja renovado.
Ah, e deixem sua opinião aqui, comentem dizendo se gostaram da ideia ou não, deem sugestões. Deixem recados para mim, eu os leio (y).
Beijos do Muringa.